Pós-jogo| Cruzeiro x Palmeiras – Fim de jogo, e da paciência.

As coisas pareciam que dariam certo. Após vencer o Vitória com goleada, empatar com Flamengo e vencer o Sport fora de casa, tanto elenco como treinador pareciam estar preparados para o desafio, o que nos transmitiu mais confiança. Não era a lição das mais fáceis. Mas considerando o elenco e o investimento, mesmo jogando fora de casa e estando em desvantagem, o Palmeiras tinha totais condições de se classificar. Esteve lá, só não houve competência, coragem e, até me arrisco a dizer, amor à camisa para se manter de pé.

O primeiro tempo foi morno. Quase frio. As equipes se estudaram muito no começo. O Cruzeiro apostou na marcação alta, atrapalhando muitas vezes a saída de bola do Palmeiras, que por sua vez, tocou muito a bola em sua área. O time não conseguiu chegar a frente muito a frente, e quando o fez, não reteve a bola no ataque e nem criou nada de diferente. Foi aquela mesma coisa que cansamos de ver: Bola para linha do fundo e tentativa de cruzamento para área. Todas as jogadas ocorrendo no mesmo lado direito de Roger Guedes e Jean.

Veio o segundo tempo e Cuca colocou Keno no lugar de Guerra. Mais uma daquelas substituições em que entra o jogador certo no lugar do cara errado. A peleja se manteve na mesma pegada, até que, por milagre, Raphael Veiga teve uma chance decente de jogar bola. Entrou no lugar de Felipe Melo. Foi o próprio Veiga quem buscou jogo e arriscou de fora da área. Era hora de abrir o time, de buscar o resultado. No escanteio batido por Veiga, a bola sobrou para Keno classificar o time. Um belíssimo gol.

Mas não estava acabado, ainda tinha jogo. Ainda tinha que continuar tentando, manter a bola no ataque e procurar o segundo gol, para as coisas ficarem mais tranquilas. A maioria pensaria assim. Não Cuca, não o Palmeiras. O treinador resolve então recuar o time, trocou Dudu por Tchê Tchê. Foi o estopim. A desistência. A covardia. Era o que o Cruzeiro queria. Eles trabalharam para isso, esperaram o momento certo para dar o último golpe. Foram inteligentes e não desperdiçaram a chance. Coube ao Palmeiras ir desesperado ao ataque, com Mina e tudo, tentar desfazer o erro. De nada adiantou.

Fim de jogo. Fim de mais uma competição para o Palmeiras. Fim do sonho do tetra. Fim da paciência.

Quando o time aspirou ser Alviverde Imponente e foi para cima, chegou a semi final da Copa. Quando teve medo, quando esqueceu sua força, chamou o Cruzeiro para fazer a festa.

Milhões gastos. Maior patrocínio das Américas. Melhor elenco do Brasil. Mas e ai? E o que realmente importa, um tal de futebol, onde está? “ah mas venceu o Sport lá, empatou com o Flamengo e…” e nada. Foi bem nesses jogos, mas a quanto tempo estamos batendo na mesma tecla, reclamando das mesmas coisas, esperando que o time engrene e jogue bola? “Ah mas o Eduardo Baptista, ele..” chega. Ele não é mais treinador do time, é passado. Já se passaram quase 3 meses desde que vibramos com a volta de Cuca. Não sabemos nem qual o 11 inicial. Cada jogo podemos esperar algo diferente. Um Mina de atacante, um Guedes de lateral. Beira o surreal, mas é a mais pura e triste realidade.

Não tem time titular, não tem padrão de jogo. Os jogadores que tentam algo, comem banco. Quem não faz nada tem cadeira cativa. Ver Guerra não receber uma bola para tentar algo, e acabar saindo do time no intervalo, foi o presságio da derrocada. Entrou Keno, que era para ter entrado, mas no lugar de, por exemplo, Borja. O atacante de milhões de dólares que não consegue dominar uma bola. Quando Egídio não tocou aquela bola, eu esperei que o pior aconteceria. Só não quis acreditar. Quando eu não vi Tchê Tchê no time titular, pensei que o senhor Cuca havia finalmente entendido. Ledo engano. Tirou Dudu para dar lugar ao seu pupilo. Reclamar da arbitragem, Felipe Melo? Nos poupe disso. Perdemos na cancha, na pelota.

Vi um cara dizendo ‘’eles lutaram’’. Lutaram? Foi um ou outro que tentou algo, o time ficou bem longe de algo que possa ser chamado de lutar. Sabe quem luta, meus caros? Eu e você, que levantamos cedo para estudar e trabalhar. Que enfrentamos ônibus lotado, provas, vestibulares e estamos perdendo nossos direitos a cada dia. Nós é quem lutamos todo dia atrás do sustento, e quando podemos, gastamos nosso dinheiro para podermos ver nosso time de perto, vestir o manto caríssimo e termos prazer com o esporte que era do povo e virou espetáculo da elite. Nós que vamos na porta do CT dar apoio, que lotamos o aeroporto, fazemos o corredor alviverde e acabamos sendo reprimidos de fazer nossa festa na rua da nossa casa. Nós é quem lutamos, cantamos, empurramos. NÓS, a torcida, ganhamos uma Copa do Brasil. Na reza, na garganta. Na luta.

Há aqueles que irão reclamar. Dizer que sou corneta demais, chamar de modinha e dizer que tem que apoiar. Provavelmente esses, são as pessoas que assistem os jogos sentados e com olho no celular. Cobrar não é o oposto de apoiar. Se omitir é. Passar pano para o erro também.

É o último sinal. A última chance de se colocarem no lugar. De olharem para esses milhões de torcedores, para essa camisa que vos veste, para o escudo do lado esquerdo do peito, e terem respeito. Não adianta culpar? Sim, tem que culpar, Cuca. Ter que reconhecer o erro. Excluir os clientes de ricos empresários e por os jogadores de futebol para jogar. Vão treinar para a Libertadores? Treinem, mas treinem mesmo. Vivam isso. Seja homens e não joguem nosso ano fora. Esqueçam o dinheiro, a mídia, os holofotes. Vocês podem por favor jogarem bola?

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