De Viamão para Palestra Itália: São Prass

  • 27 de setembro de 2017
  • Matheus Lotti
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A distância entre Viamão e São Paulo, é de mais de 1000 km. Cerca de 14 horas de carro e 1 hora de avião. Não tão longe assim. Mas o tempo até Fernando Prass chegar em terras palestrinas foi maior. De 9 de Julho de 1978 a 13 de Dezembro de 2012, foram 34 anos de espera. Neste tempo, vários goleiros defenderam a meta do Palmeiras. Entre eles um ”santo”. São Marcos. Prass chegou aqui para ser o substituto de Marcos. Mas acredito que ninguém imaginaria que o senhor Fernando Büttenbender Prass, viria a se tornar Sâo Prass. Sorte a nossa.
Quem não aceitou jogar no Palmeiras na segunda divisão, vai se arrepender”. Essa frase…essa belíssima frase jamais deve ser esquecida. Após a queda do Palmeiras para a segunda divisão, era bem dificil algum jogador aceitar defender as cores palmeirenses. Um jogador do porte de Fernando Prass nem se fale. Mas ele foi exceção. Aceitou o desafio de trazer o Palestra de volta aos tempos de glória.
Foi uma disputa de série b e quase uma terceira queda. Nâo é qualquer um que suportaria isso. O Palmeiras estava no fundo de um poço, mais uma vez em sua história. Mas a história se repete. Se os anos 80 foram terríveis, porém precederam os gloriosos anos 90, podíamos esperar uma nova volta por cima. Prass e todos os milhões de palmeirenses pelo mundo esperavam isso. Ele ficou conosco. Suportou tudo. E então veio o ano de 2015.
Fernando tinha uma missão. Ele fora destinado a isso. Copa do Brasil, a grande chance de mostrar que o alviverde imponente estava de volta. Foi uma campanha difícil. Emocionante a cada jogo. E ele, Prass, estava lá. Debaixo das traves, 1,91m de amor a camisa, dedicação, experiência e perseverança. Era o campeonato do Palmeiras. Era o campeonato de Fernando. Cada jogo um desafio, um milagre, uma certeza, uma esperança de dias melhores renovada.
Segundo jogo da semi final. Segundo tempo. 2×1 para nós. Bola rasteira na nossa área. Ninguém tirou e ela sobrou para Fred. Artilheiro nato. Pense um momento. Prass já havia feito inúmeras defesas maravilhosas, milagres. E podiamos ter certeza que mais delas viriam. Mas naquele momento, precisávamos de Prass. Era ele quem tinha de estar lá. E ele defendeu. Toda tensão baixou. Dizem que foi esse lance que confirmou que iríamos ser campeões.
E ai fomos para final. Ironicamente, Prass era o outro lado da treta com Ricardo Oliveira. Dudu foi o herói nos 90 minutos finais da decisão. 2 gols e o abraço mais gostoso da história. Mas as penalidades eram para a Prass. Foi de Ricardo o ultimo penalti santista. Quase Prass pôs ponto final ali. Mas não era a hora. Se vai mudar a história, que não seja da maneira tradicional. Jogador x Goleiro. Que tal Goleiro x Goleiro?
O mundo parou ali. Só Prass para dizer o que se passou em sua cabeça. Naqueles segundos. Milésimos. Toda uma pressão, uma responsabilidade. Hasta la victoria siempre, Prass! E la victoria veio. Goleiro de um lado, bola doutro. Goleiro que corre, chora. Estádio que explode. E ali, nos gramados de Palestra Itália, onde Marcos virou São Marcos. Prass se tornou São Prass.
O ano de 2016 veio. Era o ano de Prass, novamente. Assim pensávamos. Na corrida para sair da fila do brasileirão. Nosso arqueiro foi para a seleção…a outra seleção, e o inferno aconteceu novamente. Era hora de descansar. De deixar outro herói nascer. Jailsão da massa. E quando enfim a hora chegou. Novamente nos gramados do Palestra. Substituição: Sai Jailson, entra São Prass. E quem não chorou? Pelo título, por Jailson e sua história linda. Por Prass. Ver novamente nosso camisa 1 em campo. O símbolo do renascimento do alviverde.
São Prass. Você foi do inferno aos céus aqui no Palmeiras. Esteve aqui conosco quando ninguém queria. Nos deu e ainda nos da tantas alegrias. Você passou por um momento ruim, foi criticado. Mas pode ter certeza, no fundo todos ansiavam por ver você dando a volta por cima. E você esta novamente aqui. O milagre contra o Fluminense neste ultimo jogo, foi com certeza a confirmação disso. Assim como em 2015 foi a volta. Assim como quando você veio para cá. Muito obrigado por defender nossa meta tão bem. Por ser o símbolo do nosso time. Por ser um homem de palavras sensatas, ideias e ideais tão nobres. Muito obrigado por ser Palmeiras.

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