10 vezes em que humilhamos o Corinthians (2)

  • 6 de outubro de 2017
  • Eduardo Lodi
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Parte 2. 1974 – A fatalidade épica da Academia de Futebol

Em pé: Jair Gonçalves, Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca.  Agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei.

Não há outra maneira de começar qualquer texto que diz respeito à Academia senão citando esses nomes, posto que essa escalação foi tatuada na memória de quem conheceu esse esquadrão em campo (Muitos amigos meus, mais velhos, torcedores de outros times rivais tem essa escalação de cabeça). Esse time ficou marcado na história do Futebol de forma tão significante que ficou conhecido por seu codinome Academia de Futebol. Foi a segunda vez na história que o Palmeiras formou uma equipe tão talentosa digna de Academia. Não é por acaso que essa reputação foi construída, um time que atravessou gerações e deixou seu legado ganhando partidas envolvendo adversários, erguendo as taças importantes e humilhando rivais. Exatamente esse é nosso propósito.

Porém, em virtude do sentimento de honra que aflora quando se fala desses renomados craques acadêmicos, vale aqui fazer uma leve pausa e contar uma breve história desses jogadores para que os torcedores palmeirenses mais jovens nunca deixe de exaltá-los.

  • Jair Gonçalves: Muito versátil, havia jogado de Zagueiro e Volante. Tinha como ponto forte a marcação e saída de bola, foi Lateral direito na final.
  • Leão: A fera Leão fechava o gol, e com certeza, figura entre os maiores goleiros da história do Palmeiras. E olha que aqui reinou muita gente debaixo das traves. Leão disputou 4 copas do Mundo e jogou todos os jogos da saga de 74.
  • Luís Pereira: As vezes quando assisto jogos na TV vejo comentaristas lembrando e citando Luís Pereira, que era frio, habilidoso, com estilo moderno que sabia jogar bola. Nada comparado com esses zagueiros de hoje que só arrancam a bola com faltas e quando conseguem a roubada limpa dão logo uma bica pra cima, o famoso chutão.
  • Alfredo: Esse ficava com o jogo duro, enquanto Luís Pereira saía ele o cobria. Alfredo Mostarda tinha ótima recuperação.
  • Dudu: Incansável, parceiro de Ademir da Guia, atuou por mais de dez anos no Palmeiras. Tem até um merecido busto lá na Academia.
  • Zeca: Grande Lateral esquerdo, não se complicava.
  • Edu: Bala, como era conhecido, velocidade, muita velocidade aliada com técnica, ficou marcado por suas corridas desconcertantes.
  • Levinha: Jogador de Seleção, calculista e artilheiro nato. Fazia muitos gols e era considerado imbatível na bola aérea.
  • Ronaldo: Fez o Gol do Título Paulista de 1974. Isso vale muito, frase do próprio: “Sempre que me entrevistam, tenho que falar desse gol”
  • Ademir da Guia: Controlava o jogo. Dono do meio campo, Divino, o maior de todos.
  • Nei: Driblador e Ponta esquerdo, intimidava os adversários, ousado.
  • Oswaldo Brandão: Técnico da Academia, nada mais de necessário a dizer.

Além desses craques há ainda uma leva de jogadores que participaram desse período, talvez o mais vitorioso do Palmeiras, como César Maluco. Este que figura entre os maiores artilheiros da história do clube, porém afim de evitar uma extensão enorme do texto foram suprimidos de citação, dando espaço somente aqueles que jogaram a grande final deste jogo histórico.

Em um cenário tão vitorioso é difícil escolher um só jogo, mas sempre tem aquele prato preferido em que quando alguém está cozinhando sentimos o cheiro de longe. É exatamente dessa forma que este jogo pode ser retratado, como aquela picanha suculenta do final de semana temperada apenas com sal grosso e acompanhado de uma cerveja trincando, que só de imaginar dá um prazer enorme. Isso porque, mesmo sendo um título de campeonato Paulista, do qual o Palmeiras já possuía muitos em sua coleção, foi um título que garantiu mais 3 anos de jejum do Corinthians, e isso é claro, nos faz um bem danado…

CAMPEONATO PAULISTA DE 1974

Nesse sentido, temos que entender o momento dos times que antecederam aquele Campeonato, e vamos começar com os mais fracos primeiro…

  • Corinthians

A seca era grande, já se contabilizava 20 anos sem levantar nenhuma taça, desde 1954. Nesse tempo, O Palmeiras rivalizava muito com Santos de Pelé, e nessa rivalidade vieram grandes jogos e títulos para os dois lados, tudo isso na década de 60. No começo da próxima década, em 70, o São Paulo também tinha um time forte que era capaz até de disputar com a Academia e com o time da Vila Belmiro. E o Corinthians amargava o longo Jejum, o momento deles era péssimo.

  • Palmeiras

Por outro lado, o Palmeiras incansavelmente estava construindo seu salão de troféus nesse período, dos quais exaltemos;

Hexacampeonato Brasileiro: 1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973
Torneio Rio-São Paulo: 1965
Campeonato Paulista: 1959, 1963,1966, 1972

O Campeonato Paulista de 1974 começou tendo seu favorito estampado em todos os cantos das mídias jornalísticas: Sociedade Esportiva PalmeirasTal favoritismo era óbvio pois o Verdão acabara de levantar a Taça do Brasileiro, mas o Palmeiras não conseguiu emplacar no Primeiro Turno do Campeonato tendo inclusive uma derrota inesperada para o Comercial em pleno Parque Antártica.  Foi somente com o passar do campeonato que o maior campeão Nacional foi encaixando e colecionando suas vitórias.

No primeiro turno, o Palmeiras havia perdido para o inimigo Supremo, por 3×1, empatado com o Santos de Pelé e também com o São Paulo. Já no segundo turno, o monstro saiu da Jaula, a Academia ligou todos seus motores; Ganhou do São Paulo por 2×1, do Santos por 2×0 e fechou o turno, no dia 15 de dezembro goleando o arqui inimigo por 4×1 no Pacaembu. Nesse jogo do fechamento do turno o ‘Timão’ caiu de quatro e o Verdão sagrou-se campeão do segundo turno, classificando-se para disputar a final.

Luiz, Leivinha, Ademir da Guia e Leão. (Quarteto que amedrontava os rivais)

FINAIS

O Primeiro jogo – Pacaembu – Público: 35.663

Corinthians 1 x 1 Palmeiras – Jogo digno de decisão, porém com muito nervosismo das duas partes. Palmeiras entrou fulminante e conseguiu abrir o placar com Edu bala, depois o Corinthians empatou aos 4 minutos. Apesar do início arrasador as emoções ficaram por conta da segunda partida.

Segundo jogo – Morumbi – Público: 120.522

Palmeiras 1 x 0 Corinthians

  • Mídia

Mais do que de costume, havia por parte da mídia uma pressão muito grande para o Corinthians ser campeão daquele ano. Isso aconteceu em função do momento dos clubes, de um lado um multi-campeão, do outro um jejum de 20 anos.

Nós percebíamos que a imprensa preferia e gostaria de ver o Corinthians campeão. E naquele momento o Palmeiras estava acostumado a ser campeão, e o Corinthians, não. A festa estava toda pronta para eles, mas as pessoas esqueceram que do outro lado estava o Palmeiras” – Leivinha, atacante do Verdão.

“Todo mundo dizia que o Corinthians ia ser o campeão. Para nós, a expectativa era normal porque o Palmeiras era campeão quase todo ano. E naquele dia tinha mais de cem mil pessoas no Morumbi e a grande maioria era de torcedores corintianos. Acho que a cada mil torcedores, cem eram palmeirenses. Eles imaginavam que a vitória já estava garantida para eles” –  Frase de Jair Gonçalves, atuou de lateral direito na final.

  • Desespero e violência

A pressão era tamanha que muitos jogadores do Palmeiras sofriam ameaças da torcida rival. A mais marcante aconteceu com Leivinha, o artilheiro do Verdão, que recebeu uma carta de ameaça de morte, que dizia que se ele fizesse gol na decisão o matariam, além de toda sua família. A diretoria do Palmeiras de imediato tomou a decisão de escoltar o artilheiro com dois seguranças logo após esse episódio.

Não parou por aí, o Presidente do clube, Paschoal Giuliano sofreu outro problema grave, um ataque em seu quintal ateando fogo no jardim.

  • Ronaldo calou mais de 100 mil

(Ronaldo) O cara do jogo.

Dentro de todas as dificuldades enfrentadas, o Palmeiras foi o de sempre, ele não deixou de ser Sociedade Esportiva Palmeiras em nenhum momento sequer. A academia jogou com  gana e raça não se importando com os fatores adversos e não se abateu nem mesmo diante de uma torcida totalmente contrária ( Eles eram mais de 100 mil, nós, apenas 20 mil) . Dessa forma, o Verdão se tornou ainda mais gigante e o herói foi Ronaldo, que marcou o único gol da partida.

“O estádio era 95% de corintiano. E eles tinham um bom time também. Nós fizemos 1 a 0 e achei que o Corinthians viria para cima do Palmeiras. Mas isso não aconteceu. Eles tinham tanto respeito e tanta preocupação com o nosso ataque, que era bom, que eles ficaram na deles, tentando jogar de igual para igual, mas para não tomar o segundo gol” – Leão, Goleiro do Palmeiras.

Gol que nos deu o 17º título Paulista, Gol que nos deu o prazer de afundar e humilhar mais uma vez nosso maior rival.

Vejam os gols e sintam o clima dessa decisão em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XoRWoThQH54
Documentário da Gazeta esportiva sobre o título histórico do verdão: https://www.youtube.com/watch?v=ipwQLSBr0FQ

 

 

 

 

 

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