Como assim!?

  • 13 de outubro de 2017
  • Eduardo Lodi
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SEXTA-FEIRA 13

Existe uma lenda de que a sexta-feira treze traz “maus agouros”, popularmente conhecido por má sorte. 

Mas esse não é o motivo por de trás de tudo que aconteceu nesse ano. Muitos já proferiram opinião a respeito, assim como vários adotam medidas drásticas para recomeçar o trabalho no Verdão.

Mas eis aqui meu posicionamento:

Não vou aqui citar o alto investimento, já que Flamengo e Galo também investiram e estão muito piores que o Palmeiras. O Santos manteve sua base do ano passado, trouxe alguns atletas, disputou bravamente ano passado e mesmo assim não chegará ao título.

Porém, o título ficará com o time menos estruturado que os acima citados, e nessa barca inclui-se o Grêmio, único brasileiro ainda disputando a Libertadores com um time repleto de jogadores da base. Com todo respeito, mas não enche estádio como a torcida do Palestra. Não consegue manter os jogadores promissores e teve sua classificação garantida com um gol de Lucas Barrios, refugo nosso.

Como assim!?

Quer dizer que os times menos estruturados atropelaram os mais sólidos e vão conseguir as taças? Isso mesmo, muito provavelmente. Talvez o Grêmio ainda enrosque, mas o Brasileirão “certamente” penderá ao menos estruturado financeiramente. Um time sem grandes contratações, com um sistema de jogo humilde, que é o mais ajudado pela arbitragem.

E nessa sexta-feira treze, um dia relativamente de azar, que me faz ter certeza que má sorte é única coisa que não podemos apontar como motivos para esse ano horrendo. Fiquei puto da cara ontem vendo o jogo, terminar o feriado assistindo seu time do coração jogar daquele jeito é impensável.

Aí resolvi ficar uns minutos trancados no quarto, de luz apaga, sem nenhum som ambiente pensando em como um time tão bom produziu tão pouco e frustrou tanta gente. E  depois de um tempo as respostas começaram a surgir e junto delas um sentimento de raiva.

Não fiquei categoricamente triste quando levamos um gol do Diogo Barbosa depois dos 40 minutos do segundo tempo, entendi como algo natural. Já tinha visto um time fantástico do Palmeiras perder a final da Copa do Brasil para o Cruzeiro, em pleno Palestra Itália, em 1996, time esse que fez mais de 100 gols no Paulista daquele ano.

A eliminação na Libertadores trouxe uma certa mágoa, contudo, depois da poeira abaixar e da adrenalina se normalizar, entendi que era perdoável ser eliminado nos pênaltis depois de um jogo com tanta luta. Tudo isso por que acredito que a Libertadores se conquista através de uma participação contínua, que encorpa o time e faz o jogo se tornar mais normal, dessa normalidade vem a conquista. Prova disso é a própria história do clube, vale lembra que em 1999 fomos campeões, e em 2000 vice-campeão, e 2001 semi-finalista. Se tivesse investimento teria vencido três seguidas, já que essa de 2000 foi um assalto em pleno Morumbi.

Logo, a Libertadores se faz com a participação, a base do time era a mesma nesses três anos supracitados. Com esse entendimento fica um pouquinho mais fácil digerir a eliminação diante do Barcelona de Guaiaquil.

Agora, quando se olha o Brasileirão e se depara com a quinta colocação em um campeonato de pontos corridos aí é difícil de engolir. Ainda mais quando você joga em casa e sofre para empatar com um time que defende a permanência na série A.

O ‘pano’ já foi torcido várias vezes e não sai mais gota de água nenhuma. Azar? Não! Falta de competência.

Contratou-se jogadores do momento, campeões e no auge, Borja e Guerra. Trouxe um símbolo de marketing e raça, Felipe Melo. Manteve-se o craque do Time: Dudu. Incorporou-se ao elenco promessas jovens e jogadores que se destacaram: Hyoran, Veiga, Keno, Luan, Juninho. 

Teve troca de treinador (volta do Cuca), e continuou na mesma. Teve apoio incondicional, e continuou na mesma. Veio mais jogadores para funções táticas: Deyverson, Mayke e Bruno Henrique. 

Teve cobrança da torcida, teve MUITO APOIO INCONDICIONAL, teve estádio lotado todo jogo. Teve apoio a jogador que não domina uma bola. Tem a melhor estrutura do Brasil, salários pagos em dia. Teve dias para treinar , teve blindagem contra a mídia gambá. TEVE TUDO, SÓ NÃO TEVE RAÇA!

Pode entrar quem for de jogador ou de treinador, mas só ganha o jogo hoje aquele time dotado de mais concentração, mais comprometimento e raça.

O jogo vale a vida, e quem não entende isso toma gol no último minuto. Comete pênalti infantil no final do jogo. Erra passe e arma contra-ataque, corre errado e depende do goleiro para salvar.

Esse é o Palmeiras desse ano, e essa é nossa sexta-feira treze, o dia que antecipou nosso final de ano. Qualquer resultado pior do que o 5° lugar ainda é possível. 

 

 

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