Os grandes zagueiros da história do Palmeiras

  • 16 de novembro de 2017
  • Matheus Lotti
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Na atual edição do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras é o time de melhor ataque, tendo marcado até aqui, 53 tentos. E historicamente, o Palestra é um time técnico, de toque de bola e que joga para frente. Mas um bom time não se faz apenas com bons jogadores de ataque, mas também com uma boa defesa. E durante esses 103 anos de histórias, passaram vários zagueiros que, mantiveram viva uma das grandes característica do futebol italiano e viveram intensamente o ”defesa que ninguém passa” presente em nosso hino.
São diversos os nomes dados aos zagueiros. Beque, Xerife e líbero são alguns deles. Se o goleiro, muitas vezes é a última esperança do time, o zagueiro é o último a impedir que o guarda redes tenha de sujar o uniforme. Sendo uma dupla ou um trio, é importante que estes joguem sério, coloquem medo no atacante adversário e sejam mais do que apenas colegas de time, mas amigos leais, irmãos de cancha.

Neste post, trarei grandes defensores que estão na história do Palmeiras.

 

Bianco

Que tal começarmos essa lista, voltando lá pro início, nos anos de Palestra Itália? Ok, antes dele vestir as cores palestrinas, foi capitão e o primeiro a levantar a taça de Campeão Paulista pelo Corinthians. Mas isso foi no ano de 1914, ano de nossa fundação. No ano seguinte ele veio para o lado verde, branco e vermelho da rivalidade. E quis o destino que, Bianco Spartaco Gambini, fosse o autor do primeiro gol da história do Palmeiras, em 1915, contra o Savóia de Votorantim. Diz a história, que foi um gol de bola parada, mas não se sabe se foi numa bola cruzada ou até mesmo de pênalti.
Habilidoso e com um espírito de liderança em campo que o destacava, Bianco foi capitão do Palestra até o encerramento de sua carreira e é, até hoje, um dos maiores zagueiros artilheiros do time. Brilhou também pela Seleção Brasileira, tendo vencido o Sul Americano de 1919 e sendo considerado o melhor jogador da seleção naquela competição. Ao encerrar a carreira, Bianco se tornou técnico do Palestra e foi Campeão Paulista em 1944.

 

Luís Pereira

Desde pequeno sou um telespectador assíduo do seriado Chaves, e é aquele clássico: sei de todas as piadas, as falas e dou risada todas as vezes. E foi assistindo esta obra-prima do mestre Roberto Gómez Bolaños(que descansa em paz) quando tinha meus 6 ou 7 anos de idade, que ouvi falar deste que para mim, é o maior zagueiro da história do futebol brasileiro e um dos maiores do mundo, o senhor Luís Edmundo Pereira. E vamos combinar, ver Chaves e o Quico quase saindo na mão para serem o Luís Pereira, só reforça ainda mais a importância deste baiano de Juazeiro para o futebol.

Luís Pereira foi um zagueiro clássico, preciso no desarme, com uma ótima saída de bola e espírito de liderança. Estreou com o manto alviverde, num Palmeiras 4×0 Independiente- ARG em 1968. Foi peça essencial da Segunda Academia, defendendo nossas cores durante até o ano de 1974, fazendo seu retorno em 1981, numa época nada gloriosa para nós. Ter Luís Pereira ali atrás, era certeza de estarmos seguros. Se a situação estivesse um tanto quanto complicada para alguém, perto da nossa área, era só dar a bola para ele que o mesmo saberia como resolver a situação. Luís não foi apenas importante no setor defensivo, mas também no ataque. Exímio cabeceador e que sabia o que fazer com a bola nos pés, ele é até hoje o maior zagueiro artilheiro do Palmeiras, tendo marcado 35 gols, o primeiro deles num clássico contra o Santos, em 1971, em que vencemos a partida por 2×0.

Clébão

1,82 de altura. Pra um zagueiro, considerada uma estatura baixa. Mas muito forte fisicamente. Cléber Américo da Conceição, carinhosamente conhecido e eternizado com o Clébão, chegou em Palestra Itália no ano de 1993. E até sua saída em 1999, enfileirou vários títulos: Os campeonatos brasileiros de 1993 e 1994, Paulistas de 1994 e 1996, a Copa do Brasil e o Mercosul em 1998 e a Libertadores de 1999. Certamente um dos nossos maiores vencedores.
Apesar de ter sido o considerado”armário” da defesa Palmeirense nos anos 90, não era o estereótipo do zagueiro duro e com atributos ligados a força física. Clébão tinha uma técnica fantástica, um tanto quanto incomum para jogadores de sua posição, e sempre muito preciso em seus desarmes. De sua posição, é um dos que mais vestiu a camisa alviverde, por 372 jogos, nos quais marcou 21 gols que o colocam na lista de zagueiros artilheiros do time. Clébão não só um símbolo do Palmeiras até hoje, mas um símbolo do futebol brasileiro da década de 90.

Tonhão

O outro zagueiro que tinha apelido no aumentativo. Jogou numa época em que tínhamos nomes como Edmundo, Evair, Zinho, Roberto Carlos e César Sampaio como grandes estrelas. Muitas vezes era reserva. E mesmo assim, a torcida fazia seu nome ecoar pelos entornos do Palestra Itália. Antônio Carlos da Costa Gonçalves, o grande Tonhão, chegou bem cedo no Palmeiras, em 1988 aos 19 anos de idade. Foi emprestado para alguns clubes, até que no ano de 1992 ele passou a integrar o plantel da equipe palmeirense.
Diferente do seu companheiro Clébão, Antônio não tinha lá uma boa técnica. Mas fazia jus ao apelido, com toda sua força e garra dentro de campo. Era determinado e quando entrava em campo, jogava com todo amor, com toda entrega. Com ele em campo, só passava a bola ou o jogador, nunca os dois. E assim ele conquistou a torcida do Palmeiras, e é também um dos grandes símbolos do saudoso futebol dos anos 90.

Roque Junior

A primeira vez que o vi jogar, não foi nem com Palmeiras, mas com a Seleção, na tão viva em minhas memórias, Copa do Mundo de 2002. Pentacampeão! Chegou ao Palmeiras em 1995, e era chamado de Júnior 2, pois antes dele havia chegado o grande lateral Júnior. Começou como um volante, e quando virou zagueiro, se tornou o Roque Júnior, e consequentemente se tornou titular do time. Por aqui, foi Campeão Paulista em 1996, da Copa do Brasil e Mercosul de 1998, da Libertadores de 1999 e do Rio-São Paulo de 2000.
José Vitor Roque Júnior foi peça fundamental no esquema de Felipão na conquista da América em 1999, e ficou eternizado por sua atuações fantásticas nos dois jogos das semifinais contra o River Plate.

Vitor Hugo

O que faz um zagueiro ser bom? Desarmes primorosos, força, raça e senso de liderança, creio que você tenha pensado nessa coisas. Agora junte isso e coloque carisma e muito bom humor. Pronto, temos ele, Vitor Hugo Franchescoli de Souza. No seu sobrenome, uma homenagem ao El Principe, o meia uruguaio Enzo Francescoli. Mas o nosso Franchescoli é zagueiro. E dos bons.
Vitor foi um dos primeiros jogadores a assinar com o Palmeiras, na era de renovação do time, pós o quase terceiro rebaixamento no Brasileirão. Estreou no Paulistão de 2015, na vitória sobre o Audax por 3×1. Ficou marcado no clássico contra o Corinthians, por sua falha. Mas ele seguiu em frente e logo ganhou o carinho da torcida.
Tempo de bola, bom em desarmes, na saída de bola e ótimo cabeceador. Vitor Hugo passou o ano de 2015 todo tendo diferente parceiros de zaga, até que na reta final da Copa do Brasil, casou com Jackson e foram campeões. Já em 2016, na conquista do Campeonato Brasileiro, fez a dupla perfeita com Yerry Mina.
Vitor, em pouco tempo, conseguiu chegar ao top 10 de zagueiros artilheiros do time, com 14 gols. Jamais esqueceremos seus gols importantes e as piruetas que vinham após os tentos.

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