O meu Palmeiras é Negro: Jogadores negros que fizeram história no Verdão

  • 20 de novembro de 2017
  • Matheus Lotti
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Não se sabe ao certo sua data de nascimento, mas logo em seus primeiros dias de vida, fora levado de Palmares pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e dado de ”presente” ao padre Antônio Melo, que o batizou como Francisco. Aos 15 anos de idade, aquele jovem fugiu de volta para os Palmares e passou a se chamar Zumbi, que significa guerreiro. Zumbi dos Palmeiras tomou a frente dos Quilombos, chefiou a resistência contra os portugueses e se tornou o símbolo da libertação dos escravos. Morreu no dia 20 de Novembro de 1695, na Serra Dois Irmãos, que na época pertencia a Capitania de Pernambuco, e hoje fica no atual estado de Alagoas.

Muitos anos depois, mais precisamente em 1971, nascia o Grupo Palmares, que celebrou pela primeira vez o 20 de Novembro. A ideia se espalhou, e em 1978, com a criação do Movimento Negro Unificado, o Dia da Consciência Negra foi celebrado nacionalmente.

Dia para homenagear Zumbi. Dia para trazer a tona a reflexão sobre o relevo da cultura e do povo africano, bem como a sua importante influência na cultura brasileira. Dia da afirmação da consciência política, da pertença étnico racial e da reivindicação dos direitos da população afro-brasileira.

E nos 103 anos de Palmeiras, foram muitos os jogadores negros que passaram pelo clube. É verdade que, se formos listar todos, seria uma leitura bem extensa. Fica aqui então, a lembrança de alguns jogadores negros que fizeram história e honraram o manto alviverde.

Og Moreira

Demorou muito para o futebol se tornar uma ”coisa de negro” Alguns clubes, como o grande Bangu, foram pioneiros e revolucionários. Mas a maioria deles demorou para aceitar jogadores negros em seu plantel. Og Moreira era volante, e em 1942 chegou ao clube dos italianos. Na época ainda era Palestra. E ele esteve presente nas mudanças de nome. Quando em definitivo nos tornamos Palmeiras, ele foi extremamente decisivo no título Paulista de 1942. O placar já apontava 3×1 para o Alviverde contra o São Paulo. Og sofreu pênalti, o que fez os são paulinos se indignarem, e consequentemente, abandonarem o campo.

Og fez 198 jogos com a camisa do Palmeiras e marcou 27 gols. Além do titulo de 1942, faturou mais 2 Paulistas, em 1944 e 1947.

 

Djalma Santos

Imaginem só, em todos esses anos de futebol, quantos e quantos laterais direitos surgiram e fizeram seu nome. Muitos né? E de todos esses, Djalma Santos é considerado os melhor de todos os tempos. Você sendo brasileiro, já fica com aquele sentimento de orgulho. Dai você se lembra que esse cara vestiu a camisa do Palmeiras por 9 anos. UM PALAVRÃO FOI DITO PELO AUTOR DO TEXTO. Dono de um futebol sério e habilidoso, Djalma disputou as copas de 1954, 1958, 1962 e 1966, sendo incluido no All-Star Team das copas de 54, 58 e 62.

Pelo Palmeiras, Djalma Santos disputou 501 jogos e marcou 1o gols. Na conta, os campeonatos brasileiros de 1960 e 1967 (Roberto Gomes Pedrosa e Taça Brasil) os paulistas de 1959, 1963 e 1966, e o Rio- São Paulo de 1965. Terminou sua carreira sem nunca ter sido expulso em campo.

Ademir da Guia

É dificil encontrar palavras para falar de Ademir. Sinto que qualquer coisa escrita ou dita, seria pouco. Posso gastar quantos caracteres forem, não seriam suficientes. Quem o viu em campo, pode dizer melhor. Dos injustiçados pela seleção. Apenas uma Copa do Mundo, a de 1974, e nem fora titular. Das coisas que não se consegue explicar.

A união da habilidade e da classe. Qualquer bola, por mais que forte ou torta, chegava em seus pés e fazia morada. E o tempo parava. Paciente. Era a certeza de que algo aconteceria. Foram 901 jogos assim, o recordista. Ademir foi gênio. Ele e Pelé em campo, o duelo de titãs. Mas da Guia foi melhor que Edson, que só viu a bola passar por entre suas pernas. O maior jogador da história da Sociedade Esportiva Palmeiras é negro.

Luis Pereira

Luís Pereira foi um zagueiro clássico, preciso no desarme, com uma ótima saída de bola e espírito de liderança. Foi peça essencial da Segunda Academia, defendendo nossas cores durante até o ano de 1974, fazendo seu retorno em 1981, numa época nada gloriosa para nós. Ter Luís Pereira ali atrás, era certeza de estarmos seguros. Se a situação estivesse um tanto quanto complicada para alguém, perto da nossa área, era só dar a bola para ele que o mesmo saberia como resolver a situação.

Luís não foi apenas importante no setor defensivo, mas também no ataque. Exímio cabeceador e que sabia o que fazer com a bola nos pés, ele é até hoje o maior zagueiro artilheiro do Palmeiras, tendo marcado 35 gols, o primeiro deles num clássico contra o Santos, em 1971, em que vencemos a partida por 2×0.



Edu Bala

A velocidade de uma bala pode variar de 400km a 1000km por hora, dependendo do calibre. E como um projétil de calibre 38, pelo lado direito da cancha, corria Carlos Eduardo da Silva, o Edu Bala. Dotado de um porte físico invejável, dificilmente se machucava e era muito regular tecnicamente, acumulando 472 jogos com a camisa do clube e se tornando o 12º atleta com mais aparições com o manto palmeirense. Fez parte da Academia de Futebol, marcou 75 gols e faturou os campeonatos brasileiros de 1969, 1972, 1973 e os paulistas de 1972, 1974 e 1976.

Edu foi um desses casos de jogadores que chegaram a casa dos 40 anos e continuaram jogando futebol de alta qualidade.

Jorge Mendonça

O destino é algo maravilhoso. Foi maravilho com Jorge. Carioca, atuava pelo Náutico e foi contratado pelo Palmeiras em 1976. E no seu ano de estreia, foi agraciado com o gol do título Paulista, num Palestra Itália lotado. No ano seguinte, ele herdou a camisa 10 de Ademir da Guia. Grande responsabilidade, que o levou, junto com seu faro de gol, a Copa do Mundo de 1978.

Tinha uma técnica afinada e um chute preciso. Em 217 jogos pelo Palmeiras, marcou 102 vezes.

César Sampaio

Roubou a bola antes do meio campo. E dai em diante, Osmar Santos eternizou o lance. ”César Sampaio puxa o perigoso contra ataque pela esquerda, cortou pelo meio, dividiu, driblou goleiro…eeee queeee goooool. E que gol! César Sampaio marca um golaaaçoo”

É um gol que marcou sua carreira. Mas César foi além disso. Em suas duas passagens pelo clube, foi capitão absoluto. Perfeito no desarme e na cobertura, ele também tinha visão de jogo e distribuía a bola como um grande meia. 307  jogos, 24 gols. Foi dele a honra, em 1999, de levantar a taça da Libertadores.

Clébão

1,82 de altura. Pra um zagueiro, considerada uma estatura baixa. Mas muito forte fisicamente. Cléber Américo da Conceição, carinhosamente conhecido e eternizado com o Clébão, chegou em Palestra Itália no ano de 1993. E até sua saída em 1999, enfileirou vários títulos: Os campeonatos brasileiros de 1993 e 1994, Paulistas de 1994 e 1996, a Copa do Brasil e o Mercosul em 1998 e a Libertadores de 1999. Certamente um dos nossos maiores vencedores.
Apesar de ter sido o considerado”armário” da defesa Palmeirense nos anos 90, não era o estereótipo do zagueiro duro e com atributos ligados a força física. Clébão tinha uma técnica fantástica, um tanto quanto incomum para jogadores de sua posição, e sempre muito preciso em seus desarmes. De sua posição, é um dos que mais vestiu a camisa alviverde, por 372 jogos, nos quais marcou 21 gols que o colocam na lista de zagueiros artilheiros do time. Clébão não é só um símbolo do Palmeiras até hoje, mas um símbolo do futebol brasileiro da década de 90.

Zé Roberto

Ele começou com um lateral. Inclusive eleito o melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro de 1996. Na Europa, se tornou um meia de altíssimo nível, e brilhou por Real Madrid, Bayer Leverkusen e Bayern de Munique. Em 2006, naquela seleção que ficou conhecida pelo Quadrado Mágico, Zé foi de longe o melhor.

Acredito que, no futebol mundial, poucos jogadores tem o curriculum e o respeito que ele tem. E assim como Edu Bala, um quarentão que parece menino. Chegou em 2015, mostrando sua excelente forma física, desempenhando futebol de garoto e dizendo ”o Palmeiras é grande” Corre pra lá, corre pra cá, desarma, cruza, da passe pra gol. Incansável! Zé caiu nas graças da torcida. E ao levantar a taça da Copa do Brasil de 2015, se rendeu e reformulou seu discurso ”O Palmeiras é gigante”. No ano seguinte, o tão aguardado título Brasileiro. E assim, o Palmeiras e tornou o maior clube de sua carreira.

Gabriel Jesus

Do Peri para o mundão. Até 2014, ele era mais um garoto pintando a rua e sonhando com o hexa. Estamos quase em 2018, Copa na Rússia, e ele é a esperança, o camisa 9 da Seleção. O Palmeiras passou muito tempo sem dar a devida atenção a sua base. Sabe se lá quantos talentos foram desperdiçados. Mas Gabriel foi exceção. ”Gabrieeel, Gabrieeel, poe o Gabrieeel” já sabíamos da joia que tínhamos em mãos. E quando foi acionado, abraçou a oportunidade e dai vocês já sabem.

Gabriel Jesus é uma raridade no futebol. Dificilmente vamos ver jogadores como ele no Palmeiras. Veloz, habilidoso e com faro de gol. O famigerado ”falso 9”. O City comprou muitos gols, seu Pep.

Jailson

Assim que a taça do Campeonato Brasileiro de 2016 foi levantada, veio a tona o print de uma postagem antiga em sua página. Se eu já estava chorando pelo título, ao ler aquilo vieram mais lágrimas. ”Queria só uma chance pra mostrar meu potencial”. As coisas não acontecem no nosso tempo. Jailson chegou ao Palmeiras no turbulento ano de 2014. Até se tornar titular da meta alviverde em 2016, foram alguns jogos. Ele tinha a difícil tarefa de substituir Fernando Prass. Última rodada do primeiro turno. Na primeira defesa, a certeza. Tínhamos um grande goleiro debaixo das traves. “Jailsão da Massa” ”Aranha Negra” terminou o Brasileirão invicto, sem nenhuma derrota. E até o momento, mantém sua invencibilidade ainda. Um dos grandes personagens do memorável título de 2016.

 

 

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