Maurício Galliote e o Nobre Legado

  • 4 de dezembro de 2017
  • Rafael Sugiyama
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Quando Maurício Galliote, administrador de empresas pela PUC, assumiu o Palmeiras em Dezembro de 2017, o time havia acabado de conquistar, de forma incontestável, o Campeonato Brasileiro, após 22 anos de seca.

A situação financeira do time no momento de sua posse era de dar inveja aos rivais. Dinheiro em caixa, título na sala de troféus, torcida lotando estádio, sócio torcedor bombando, novos reforços, mais títulos à vista?

Tudo isto, herança do bilionário Paulo Nobre. Um cenário bem diferente daquele que ele encontrou em 2013, quando assumiu o time recheado em dívidas, recém rebaixado e sendo rejeitado pela grande maioria dos jogadores. Naquela época, fomos obrigados a aceitar Léo Gago, Marcelo Oliveira, Rondinelly e Leandro. Lembram? Tudo isso, por Barcos.

Após quase 1 ano da posse de Maurício Galliote, muita coisa mudou no campo esportivo. O frustrante ano, já dissecado aqui, não nos trouxe nenhum título. Acumulamos vexame atrás de vexame, frustrações atrás de frustrações. Nos momentos decisivos no ano, sempre falhamos. Trocamos de treinador 3 vezes. Começamos com o rebaixado Eduardo Baptista (quem diria que o ano dele terminaria assim?), que detém até hoje o melhor aproveitamento de um treinador do Palmeiras neste ano, fomos para Cuca e terminamos com Alberto Valentim. Mudanças de estilos, mudanças de comando, sem mudança de resultados. Continuamos oscilando.

No campo político, seria difícil hoje repetir a foto deste post. Galliote rompeu com Nobre politicamente.

Na esfera administrativa, o Palmeiras segue apresentando lucro. Continua contratando destaques dos campos brasileiros (Lucas Lima e Diogo Barbosa, para citar só 2 exemplos). Apesar de termos tido a terceira melhor média de público como mandante (29.672 torcedores/jogo no BR17), o torcedor nunca abandonou o Palmeiras, nem nos piores momentos da temporada, e sem ter grandes objetivos no ano. Os torcedores foram responsáveis por R$ 61,4 milhões de renda bruta para o Palmeiras no ano, considerando todos os campeonatos.

O legado deixado por Paulo Nobre, ao menos na esfera administrativa, se manteve. Galliote afirma que o Palmeiras será um clube livre de dívidas até o final de 2018, o que será um belo legado para um próximo mandato.

No entanto, o torcedor não está satisfeito. Dinheiro em caixa não traz títulos, superávit no balanço não indica que o torcedor palmeirense deixará de ser zombado pelos torcedores rivais. Estamos interessados em títulos. Se puder ser com dinheiro em caixa, melhor ainda.

O que não pode é o Palmeiras deixar de ganhar títulos. De 2012 a 2017, ganhamos 3 nacionais. Foram 2 Campeonatos Brasileiros e 1 Copa do Brasil.

Penso que para o ano que vem, podemos pensar nesta meta: iniciar o ano com um treinador e terminar com este mesmo treinador.

Até o momento, vejo mudanças. Temos mais tempo de trabalho e planejamento com Roger Machado do que tivemos com Eduardo Baptista. O elenco deve mudar pouco, as principais contratações já foram ou estão sendo feitas, de forma que o elenco esteja pronto na reapresentação dos jogadores em 2018.

2017 acabou. Que venha 2018! O que passou, passou. Mas que possamos nos lembrar do que vivemos neste ano, para não cometermos os mesmos erros. Galliote deve se importar com as finanças, mas não pode esquecer o campo. O sucesso no campo traz resultado financeiro.

Saudações alviverdes!

Rafael Sugiyama

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