É preciso ainda acreditar em Borja

Um dos protagonistas da campanha exitosa do Atlético Nacional na Libertadores de 2016 – e carrasco rival -, Miguel Borja foi uma contratação portentosa e ousada do Palmeiras, a mais cara da história da instituição. Em evidência, o então “Rei da América” daquele ano se valorizou grandemente no mercado. Houve especulações, boatos, furos, novela. Enfim, contratado. Via-se em Borja o nome certo para comandar a artilharia alviverde em 2017 e substituir Gabriel Jesus. Em quatro jogos, a partir das semifinais contra o São Paulo no certame continental, o atacante mostrou oportunismo e faro de gol. Era o que precisávamos.

Com direito a recebimento nos braços da torcida e ovação no aeroporto, a expectativa em Borja era gigantesca. Também, pudera. Estreia fulminante. O belo gol marcado diante da Ferroviária, pelo Paulistão de 2017, era o cartão de visitas ideal. Na partida seguinte, a rede balançou novamente. Em poucos dias, Borja parecia justificar todo o entusiasmo depositado em sua vinda. Era preciso manter o alto nível. Os (pouco mais) de 30 milhões de reais necessitavam fazer jus.

Como para qualquer jogador, a irregularidade em campo alcançou Borja. A coisa exasperou na volta de Cuca ao comando. No início, o entendimento era de que o colombiano precisaria de sequência, tempo e paciência (por parte de todos) para desenvolver seu futebol e se aclimatar definitivamente ao clube e ao país em si. Estreia no Brasileirão, já sob a tutela de Cuca, dois gols de Borja contra o Vasco da Gama. Sim, dessa vez parecia que engrenaria. Ledo engano. O número 9, de novo, caiu de rendimento, a exempto de todo o coletivo. Com Cuca, ele era ainda mais cobrado. Não bastava se movimentar na zona ofensiva para receber a bola em condições de empurrar para o gol. O técnico exigia entrega na marcação, na disputa de bola com os adversários. A torcida também cobrava. Borja não conseguia atender. Sacado do time titular e com raras oportunidades até a saída de Cuca, o panorama não mudou muito de figura durante a interinidade de Alberto Valentim.

“Ano novo, vida nova”. Esse velho jargão vem muito bem a calhar para Borja. A autocrítica em declarações e entrevistas à imprensa durante as férias revela que ele próprio entende que esteve aquém, por diversos fatores. Mas, o apetite de vingar existe. E, é verdade, o ano começou diferente para Borja dentro das quatro linhas. Sua limitação técnica é perceptível, mas, tanto quanto, nota-se também maior participação e esforço. Municiado por alguns dos principais assistidores do futebol nacional atualmente (leia-se Dudu, Lucas Lima e Scarpa), este pode, e torçamos muito para que seja, a temporada de “redenção” de Borja. Roger Machado demonstra que insistirá enquanto for possível. Não obstante, faz questão de evidenciar sua colaboração para a equipe, ainda que não resulte em gols, apesar do tento oportuno marcado sobre o Botafogo há dois jogos passados pelo estadual.

Como torcedor, também me irrito com as bolas perdidas. Mas o otimismo e a boa vontade prosseguem. A ansiedade o faz arrematar a gol na primeira oportunidade que se apresente ou tomar decisões erradas em chances claras de finalização. Entretanto, o desenvolvimento do jogo coletivo da equipe neste ano, aliado à capacidade individual de algumas peças, acredito, devem desembocar no deslanche de Miguel Borja. Continuo acreditando. Continuemos a acreditar!

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