CORNETA COM RESPONSABILIDADE

Sabe quando você cria alguma coisa, mas no fundo sente que poderia ser melhor? Você sabe do seu potencial, mas mesmo assim não o explora. Talvez por medo de prejudicar sua criação. Mas aí vem o colega, dá tudo de si, e consegue criar algo igual ao seu. No final, você percebe que se desse o máximo que o seu colega deu, poderia fazer algo melhor que o dele. Pois bem.

Ao apito final nesta segunda-feira, no estádio Nilton Santos – Rio de Janeiro, eu percebi que o Palmeiras tem vários problemas para resolver, mas o principal deles é saber lidar com o maior adversário do time, que é o próprio Palmeiras. Entre vários erros de passes e uma postura que me parece cada vez mais cômoda, a torcida do Palmeiras sente falta de um time que demonstre sede de vitória e uma maior competitividade. Os torcedores hoje não questionam a qualidade do time como fazíamos há 5, 6 ou 7 anos. Questionamos o desempenho.

Eu gostaria muito de falar aqui neste texto sobre uma estreia com vitória do Palmeiras, algo que seria completamente normal, pois time pra isso nós temos. O que fica difícil de entender é a passividade do time nos jogos, principalmente quando estão à frente do placar. Parece que para o Palmeiras, fazer o básico é o necessário. Cadê os 110% que o treinador pede?

Por falar em treinador, há quem diga que a cadeira do Roger Machado está cada vez mais balançando. A cultura do imediatismo é algo que eu discordo, é necessário tempo para instalar uma filosofia de jogo e conseguir encaixar um time, todo treinador necessita disso, com raras exceções. Mas parece que no Palmeiras a regra é ser exceção, mesmo no final o treinador não sendo exceção à regra – seja ele qual for.

Mas uma coisa não pode anular a outra. Fato é que algumas substituições são questionadas, assim como algumas titularidades. No Palmeiras não se joga por nome, se joga pelo Palmeiras. Seja você o Messi ou o José do interior. Seja da base ou de fora. É necessário colocar em campo, não só os melhores, mas o que mais representam o manto. Os que entendem que correr mais que o adversário é sempre uma obrigação, não um mérito.

Que o Palmeiras tem enfrentado adversários difíceis, isso é fato. Parece que jogar contra nós faz com que o adversário corra mais. Ou será que estamos correndo menos que todos? Lucas Lima, jogador de qualidade técnica incontestável – apesar da boa disciplina tática – anda sumido, sumido, sumido… nesta partida, errou passes que não costuma errar. Saiu pra entrada do Guerra, aquele que parece ser a principal sombra do jogador na temporada (há quem defenda os dois em campo).

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Felipe Melo é um dos melhores jogadores do elenco, mas quem sabe se ele puder jogar mais simples, pro time, e não pras câmeras e microfones, talvez o Palmeiras passe a se dar melhor com isso. Ontem fez uma das suas piores partidas pelo alviverde, falhando inclusive no lance do gol. Corneta com responsabilidade.

É necessário mudar. O time, a postura, a bola e – quem sabe – alguns jogadores. É necessário cobrar o treinador, mas pedir a cabeça é querer cometer o mesmo erro do ano passado. O Palmeiras precisa parar de ter medo de atingir o seu potencial, digo no sentido de entender que o time pode mais. Sempre pode mais. É entender a grandeza de ser Palestra e ser Palestra é ser sempre mais.

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