E foi assim que La Bombonera se calou | Pós: Boca Juniors 0x2 Palmeiras

O jogo do ano. Durante uma temporada, podem ser várias as partidas que são consideradas a mais importante do ano. Partidas que renovam esperanças, que reabilitam ou que afundam ainda mais um time em sua situação ruim. O jogo em La Bombonera tinha essa pegada, de ser um divisor de águas. A peleja para a torcida explodir em fúria ou para o elenco alviverde bater no peito e dizer: CONTEM CONOSCO!

Após um começo de semana conturbado, onde aconteceu de torcedores serem pagos para cornetar e hostilizar jogadores, os jogadores do Palmeiras adentraram o caldeirão dos Xeneize,  sabendo que tinham de vencer. Era isso ou ter de aguentar torcida, mídia e conselheiros falando um monte de coisas. O torcedor palmeirense ligou a TV sabendo que não podia e nem queria ver seu time perder. Era isso ou ter de aguentar mídia, desculpas de jogadores, rivais na internet, amigos no trabalho e etc.

De fato foi o jogo do ano. E cada um tratou de fazer sua parte.

 

A pelota rolou. E o primeiro tempo foi o que se esperava. O Boca foi em busca da vitória, empurrado por sua torcida que até então não se calava. Já o Palmeiras foi paciente e procurou os espaços. O time entrou numa 4-2-3-1, mas era visível o 4-4-2 quando se defendendo. Aos poucos o jogo foi esquentando e ambos os times foram tendo chances de inaugurar o placar. Lá e cá. O time argentino teve as primeiras oportunidades claras de gol. E Pavón foi mostrando o por que de ser um grande e promissor jogador. Já do lado verde, Marcos Rocha teve de se desdobrar, mas não conseguia atingir o esperado. Keno, que sempre é apontado como titular pela torcida, parecia não estar em um dia inspirado. Dribles errados, decisões erradas. Não justificava o por que de merecer titularidade, parecia que ele realmente servia só como jogador de segundo tempo.

Mas o futebol é verdadeiramente uma caixa de surpresas.

 

Aos 39 minutos do primeiro tempo, quando provavelmente boa parte dos torcedores criticavam ambos.  Foi dos pés de Marcos que a bola saiu e cruzou a área Azul y Oro direto para a cabeça de Keno. O canto argentino sucumbiu pela primeira vez e deu lugar ao brasileiríssimo grito de gol da torcida alviverde. 1×0 verdão. Gol que levou tranquilidade para o vestiário.

E como esse gol ajudou no psicológico do time. E para o segundo tempo, apesar do ímpeto do Boca e sua camisa pesada. De um estádio que, não há time no mundo que não sinta um frio na barriga ao pisar os pés no gramados e ter seus ouvidos invadidos pelas vozes de milhares de xeneizes, e de um dito jornalista dar 99% de certeza de que o time de Parque Antártica perderia em terras argentinas…apesar de tudo, o Palmeiras mostrou que a Taça Libertadores é obsessão.

O Palmeiras foi o Palmeiras que queríamos tanto ver e que já estávamos com saudades. O Boca Juniors, claro, foi para cima. Pressionou e contou com seus adeptos. Bola pra fora, milagre de Jailson, gol impedido e Jailson novamente.

Agora a gente pode falar de outro personagem do jogo. Do maestro. Andou meio sumido nas últimas partidas. Mas dai ele resolveu pegar o rótulo de ”pipoqueiro” e jogou no lixo. Com paciência, é claro, ao melhor estilo Lucas Lima. Na primeira tentativa, Keno arrancou pela lateral, e Lucas corria do outro lado. 2 contra 2. A bola estava prestes a chegar em seus pés, mas quis o destino fazer o camisa 20 aguardar um pouco. Zagueiro chegou a tempo de adiar o pior. Na segunda tentativa, ele contou com a presepada do goleiro, o que não tira o mérito. Arqueiro longe da meta, bola nos pés de quem sabe e a redenção se fez. La Bombonera sucumbiu em silêncio novamente, dessa vez a mando de Lucas Lima.

2×0 porco, findou-se a peleja.

 

Não foi uma partida das mais brilhante. Mas foi o que, tanto jogadores como torcedores, precisavam e muito. Renovou esperanças. e elevou o time a um novo patamar. Lá atrás, apesar da canseira promovida por Pavón, a defesa jogou sério. O meio de campo funcionou e bem. Felipe Melo colocou Tévez no bolso e voltou a jogar bola. Como um todo, o time soube se portar na cancha, teve o espírito de libertadores. Velocidade, paciência, catimba e frieza, tudo em seu devido tempo e de acordo com a necessidade.

E o Palmeiras leva na mala, não só a classificação para as oitavas, mas a confiança que precisava para continuar trilhando seu caminho.

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