O acachapante Palmeiras fora de casa

A campanha como visitante do Palmeiras, até aqui, é digna de nota. Nesta temporada, foram quatorze pelejas longe do Allianz Parque, com onze vitórias, duas igualidades e somente uma derrota. Não obstante, o cômputo de gols a favor e contra também é destaque: foram vinte e cinco tentos comemorados e cinco reveses. Um saldo positivo bastante expressivo construído pela equipe ao largo de seus domínios.

E, neste entretempo, alguns dos triunfos foram emblemáticos: êxitos diante de Santos e Corinthians, no Campeonato Paulista, Boca Juniors, pela Libertadores (primeira derrota do clube argentino em La Bombonera por uma diferença de dois gols na competição continental) e Atlético Paranaense (quebra de uma invencibilidade dos paranaenses que perdurava há cerca de seis meses na Arena da Baixada). Ademais, as vitórias em Barranquilla, Buenos Aires e Lima recolocaram o Verdão no topo de equipes brasileiras mais vitoriosas na Libertadores além das fronteiras tupiniquins.

Mesmo em palcos considerados hostis para quem os visita, o time de Roger Machado tem se portado de maneira quase que irrepreensível: não sente pressão da torcida adversária, suporta muito bem as investidas de ataque iniciais promovidas pelos rivais, aproveita a maioria dos contra-ataques de forma letal e cadencia o ritmo de jogo com o placar a frente, esfriando qualquer lampejo de reação do anfitrião.

Os 3×1 deste domingo sobre o Atlético-PR são um desenho perfeito dessa idiossincrasia alviverde como visitante. Face a face com uma das ideias de jogo mais virtuosas vistas no Brasil atualmente, sob a identidade ímpar de Fernando Diniz, o Palmeiras anulou por completo a envolvência do Furacão entendendo perfeitamente as circunstâncias da partida. Subiu a marcação já na saída do arqueiro rubro-negro – quando a oportunidade de roubar a bola era evidente -, e congestionou os blocos no campo de defesa nos poucos avanços dos comandados de Diniz.

Roger, em entrevista antes da partida, ditou exatamente o que se veria em campo. Neste cenário, a equipe compra plenamente a ideia do treinador, que demonstra, inteligentemente, saber postar o time fora de casa de acordo com o estilo do oponente. Pontaço positivo para ele.

Tais virtudes, porém, contrastam com o desempenho do Palmeiras em seu habitat. O time, em casa, demonstra imensa dificuldade em transpassar bloqueios armados pelos adversários, mesmo consideravelmente mais fracos. Aspecto a ser muito trabalhado e melhorado. Fora, o Palmeiras tem a seu dispor condições que favorecem, e muito, as principais características da equipe: construção de contra-ataques, espaço para trabalhar com velocidade as transições entre os setores e acionamento constante dos pontas, bastante incisivos.

Muito consciente do que fazer em cada partida na cancha rival, o Palmeiras desponta como o visitante mais indigesto do país em 2018. Quarta-feira, o clube estreia nesta edição da Copa do Brasil versus o América-MG, no Independência, e domingo enfrenta o Corinthians, já pela quinta rodada do Brasileirão, no campo adversário. Que continue a toada!

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