SCOLARISMO E O SIMPLES QUE SE TORNA IMPONENTE

Quando em 2012 Felipão fazia seu retorno a Seleção Brasileira, ele saia de Palestra Itália com a imagem de um time campeão da Copa do Brasil, mas que caminhava para seu segundo rebaixamento. Quando ele chegou para comandar a Seleção, tínhamos a imagem do Felipão campeão do mundo em 2002. O Grêmio acabou sendo sua primeira tentativa em apagar tudo o que aconteceu no fatídico dia, mas não houve sucesso. Foi buscar refugio na China, onde venceu tudo o que pode.
Luiz Felipe Scolari, campeão de tudo pelo mundo e com a vida financeira feita, não precisava de uma terceira passagem pelo Palmeiras. Mas foi o que desejou. E até aqueles torcedores que esbravejaram ”ULTRAPASSADO! TÉCNICO DO 7X1” tinham em consciência que as coisas poderiam mudar com ele no comando.

Retornou a sua casa e até agora não nos decepcionou.

Desde a saída de Roger Machado, passaram-se 7 jogos, e em todos o verdão não sofreu gols, um feito que não era alcançado desde 1992. É visível a postura diferente do time em campo, se compararmos os jogos com Roger e os com Felipão. Dono da melhor campanha na Libertadores 2018, o Palmeiras de Roger Machado não empolgava, nem fazia os olhos do torcedor brilhar. Tivemos momentos marcantes, como a vitória em La Bombonera.  Mas a equipe em campo refletia muito a passividade do treinador, tanto na beira do gramado, como em sua coletivas. Era fazer o 1×0 que o time parecia se abdicar do jogo, chamando o adversário para levar a melhor. E para o técnico, o time estava quase chegando ao ideal.

Machado é da nova geração de treinadores, a estudiosa, com seus termos técnicos e ”novos” esquemas táticos, aspirantes a serem o Pep Guardiola tupiniquim. Claro que, Roger deixou coisas boas na equipe alviverde, assim como no Grêmio de Renato Gaúcho e o Atlético- MG. Mas caiu por sua insistência em coisas que não davam certo e irritavam a torcida. Pegou um trabalho desde o inicio e nem se quer conseguiu montar um time.
Mas o passado fica lá, no passado. Felipão em pouco jogos, conseguiu montar 2 times que dão conta do recado. Até aqui, 1 time para os mata-matas e outro para os pontos corridos. Em ambos, o treinador entrou em um processo de reconstrução, setor por setor.

A partir do jogo em que Paulo Turra comandou, as mudanças começaram ocorrer no setor defensivo, que vinha sendo uma negativa na temporada, fazendo com que a torcida clamasse por novos zagueiro. Chegou Nico Freire, ainda durante a Copa, e depois o elogiadíssimo Gustavo Gomez. Este último sem sombra de dúvidas merecendo a titularidade. Foram dois empates em 0x0, onde a defesa começou a se tornar sólida. Dali em diante, com sua ”defesa que ninguém passa” se tornando notória, Felipão começou a ajeitar o meio de campo e a ”linha atacante de raça”. Veio o primeiro triunfo contra o Cerro, 2×0 em terras paraguaias.Depois, 1×0 frente a Vasco e Bahia, e o último 3×0 contra o Vitória. Em todos esses jogos, os atacantes se portaram como atacantes e empurraram a bola para o gol. 3 de Deyverson(quem diria…) 2 de Borja e 2 de Dudu.

 

Aliás, isso é uma caracteristica forte nesta equipe de Scolari. Os jogadores cumprem as funções de suas posições. Foi bem interessante ver um Bruno Henrique marcando gols todo jogo e se tornando o principal fazedor de gols do time. Mas isso não era só uma amostra do que o jogador era capaz, mas também da desorganização que estava instaurada.
Com o jeito Felipão de por um time para jogar, os zagueiros protegem ao máximo o goleiro e impedem o time de levar gol. Os laterais são mais defensivos, mas nas vezes em que avançam, cumprem seu papel. O meio de campo é mais pesado ou mais leve, e isso depende do jogo e sua necessidade. Os atacantes não tem medo de chutar e ajudam o restante do time quando a bola esta com o adversário. A intensidade na marcação é algo para se encher os olhos, assim como a raça e a objetividade.
Contra o Vitória, mesmo após o primeiro gol, o time seguiu atrás de balançar as redes. Fez mais 2 e poderia ter sido mais.

Scolari é da velha guarda e fala a língua do futebol. Ele sabe que não precisa de palavras e termos difíceis para fazer um zagueiro entender que ele tem de dar um bicão pra frente, ou de como o centroavante deve fazer o pivô e por a bola pra dentro do gol. Ele sabe que os jogadores são seres humanos, e os trata assim, sem medo de repreender, de dar uma lição ou ser afetivo e abraçá-los. Felipão faz o arroz com o feijão, o simples e funcional.

Para uns, isso é ser ultrapassado. Para nós, isso é o que mais vem surtindo efeito nos últimos tempos.

 

 

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