Palmeiras 104 anos, obrigada por tudo.

São 104 anos de uma ligação com o Palmeiras que desafia toda a questão de espaço e de tempo.
O amor verde está enraizado muito antes da primeira semana de vida de cada palmeirense. Na minha família, por exemplo, o amor pelo Verde está desde o abençoado dia que o meu bisavô conheceu e amou o Palestra Itália. Naquele tempo não existia televisão pra assistir, ele não tinha rádio para ouvir, mas o coração italiano daquele homem que veio para o Brasil fugindo da primeira guerra, ainda bebê, já era pintado de verde, branco e vermelho. Ele passou esse amor pelo Palestra para os filhos, que passaram para os netos, que passaram para os bisnetos e que, eu prometo, passarão para os tataranetos.
Toda a história que hoje a gente se orgulha, ele viveu. Ele viu. Ele estava lá. Ele e todos os italianos que vieram em busca de trabalho, sossego e paz e acabaram achando um time para chamar de seu. De nosso.
Amaram o nosso Palestra antes de ser Palmeiras, antes de ser Campeão do Século, antes de qualquer Libertadores e Arrancada Heróica. Eles amaram o Palestra por ser o Palestra e ponto.
Antes de termos um Divino iluminando o meio campo do time, antes do Santo fazer milagres embaixo das traves, antes do Animal jogar com tanta raça e do Matador matar todos os gols, eles amaram o Palestra Itália.
Foram Palestra no primeiro título Paulista em 1920. Foram Palestra na primeira goleada ao rival em 1933. Eles foram Palestra quando não nos queriam Palestra. E quando mais precisamos, eles também foram Palmeiras. Com espírito do Palestra. Com espírito do Porco. Fomos Brasil em 1942 e, muito mais que isso, nós fomos Palmeiras. Fomos Brasil em 51 de novo, fomos Brasil em 65, mais uma vez.
Por tudo que eles passaram para chegar até aqui, por tudo que o nosso Palestra passou para se tornar Palmeiras e por tudo que o nosso Palmeiras passou para ser o que é, seria uma desonra se cada um de nós não tivéssemos o coração vibrando e a garganta cantando pelo Verde do Palestra Itália. Seria covardia se hoje a gente não fosse Palmeiras em cada canto. Em cada derrota. Em cada queda. Em cada título conquistado e, perdido. Seria imperdoável se a gente abandonasse ou acreditasse que fosse só um jogo. Porque nós fomos escolhidos para ser Palmeiras, muito antes do Palmeiras ser Palmeiras. Fomos escolhidos pelo Palestra Itália, em 1914. Hoje completa 104 anos dessa história e o desejo é para que esse amor se perca ao longo dos anos e que continue desafiando o tempo e o espaço.

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