De “chutão em chutão”, o Deca se aproxima

Muito se discute na imprensa, especialmente neste fim de temporada, a qualidade do futebol praticado pelos times brasileiros. O assunto, em voga desde meados do famigerado “7×1”, é debate cada vez mais recorrente nas mesas redondas, principalmente quando ocorre, por exemplo, eliminação de agremiações brasileiras diante de adversários sul-americanos considerados, em geral, de menor potencial de investimento financeiro e escopo de gerência.

O Palmeiras, líder isolado do Campeonato Brasileiro e invicto na competição há 18 rodadas, tem encabeçado estas discussões. Dono do elenco mais badalado e equilibrado do país, o arsenal de jogo alviverde foi colocado em dúvida em dois confrontos de semifinais recentes: Cruzeiro, na Copa do Brasil, e Boca Juniors, pela Libertadores. O time sucumbiu em ambos.

O esquadrão comandando por Luiz Felipe Scolari caracteriza-se pelo jogo vertical e cauteloso. Atacantes de lado e meio campistas ofensivos são instruídos a marcar seus oponentes até a retomada da bola, enquanto os zagueiros e laterais, além dos óbvios ofícios defensivos, recolocam a pelota no ataque em lançamentos longos. Na frente, muito aproveita-se da velocidade, individualismo e capacidade de decisão dos pontas e oportunismo do centroavante. A bola parada também é uma grande aliada palmeirense.

Pragmático para alguns, este estilo de jogo garante, desde que Felipão acertou sua volta à Academia de Futebol, um aproveitamento de mais de 80% no Brasileirão, embora tenha se provado ineficiente em duelos de mata-mata. Estaticamente, o Palmeiras lidera os índices em gols marcados, menos gols sofridos e, consequentemente, saldo de gols na tabela do torneio nacional. Também é a equipe que mais venceu e menos perdeu (apenas quatro vezes, todas no primeiro turno) dentre as vinte participantes.

Curiosamente, a vinda de Felipão mirava o modelo de campeonato onde o pentacampeão mundial consolidou sua vitoriosa carreira. Talvez, a postura comedida nos jogos de ida, mais contra o Boca Juniors que Cruzeiro, tenha custado a aspiração para o bicampeonato continental e tetra da Copa do Brasil.

Jogar bonito ou garantir o resultado? Este dilema tem gerado bastantes questionamentos e reflexões. Comparado ao comando do técnico anterior, o Palmeiras de Felipão é inegavelmente mais seguro e eficiente, embora abra mão de parte da plasticidade e potencial técnico que o elenco oferece, tratando-se, claro, do nível do futebol brasileiro e sul-americano. Por outro lado, subestimar ou desvalorizar o trabalho de uma equipe invicta nos pontos-corridos há cerca de quatro meses soa como desonestidade.

Mais flexível e aberto a novas ideias, além de estar acompanhado de auxiliares inseridos na nova seara de “estudiosos”, é plausível acreditar que Felipão, a partir da temporada que vem, seja capaz de inserir o ingrediente técnico nesta receita de eficiência.

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