O herói que merecemos e precisamos

Não sei se isso é algo que já se encontra em nós, desde o nascimento, ou se é algo que a sociedade nos ensina. O fato é, que, em se tratando do mundo material em que nós vivemos, sempre buscamos um herói, alguém para se espelhar, admirar, dizer em alto e bom tom ”ESSE CARA ME REPRESENTA!”. Eu acredito que, quando os falecidos Stan Lee e Jack Kirby lançaram O Quarteto Fantástico em 1961, algumas de suas motivações foram essas.

Todo herói tem sua vestimenta, uma máscara ou acessório que o caracterize. Todos nós palmeirenses, sabemos muito bem quem é o nosso herói, que veste uma camisa verde com o número 7 as costas. E quando a veste… Dudu é capaz de incorporar toda a identidade do clube.

 

De Goiânia até o Palestra Itália, foi uma longa estrada. No caminho tiveram algumas paradas, em Belo Horizonte, Curitiba, Kiev na Ucrânia e Porto Alegre. Eu como bom curioso, somei toda a quilometragem percorrida por ele, cerca de 24.358Km. Em 2014 ele trocou o frio ucraniano pelo frio porto alegrense, e lá no Grêmio mostrou a todos o seu potencial. Só que não era o bastante, ainda tinha mais a oferecer, mas era como se não estivesse no lugar certo para fazer isso

Nossos rivais estavam de olho no baixola, prontos para terem em mãos um baita jogador. Mas o destino é algo impressionante, e ele precisava levar Dudu para o lugar que o faria mais feliz em sua carreira. Quis o destino que fosse o Palmeiras, um lugar que precisava muito de novos heróis.

 

O bom futebol sempre esteve presente, com algumas oscilações naturais, mas sempre esteve lá. Porém, o herói se fortalece nos momentos decisivos, arranca forças da onde ninguém imagina. O herói. Ele cresce no mata-mata, ele corre mais do que todos, ele chora conosco e ele faz os 2 gols na final da Copa do Brasil.

Ele não se importa com a provocação do rival, pois ele sabe que ri melhor quem ri por último. E riu, muito.

Ouvia-se dizer, que ele nos deixaria. As tentações eram fortes, mas não mais do que uma coisa chamada AMOR.  Em 2016, o ano em que voltamos a sorrir com a taça do Brasileirão, ninguém jogou mais bola do que Dudu. Em 2016, ninguém amou mais um clube do que Dudu. O gol do Enea saiu dos pés de Fabiano, e isso jamais será apagado. Mas aquele gol contra o Botafogo…ninguém fez um gol mais belo do que aquele gol. Era o tento do ‘’é nosso e ninguém tira’’ tanto o título como o jogador.

Ninguém no mundo levantou uma taça com tanto desejo naquele ano.

Seria exagero eu dizer que, o ano de 2017 do time fluiu como o futebol de Dudu? Se comparado com os tempos antes dele, foi tudo dentro dos conformes, ser vice campeão brasileiro depois de ter sido campeão, não é nada de ruim. Mas se comparar com as glórias que estávamos acostumando a ter, dói. Dói por que havia muita expectativa. Estivemos bem quando nosso herói esteve bem, e mal quando ele foi incapaz de nos ajudar. Era de ser um momento de reflexão e renovação. Em meio a toda crítica, ele precisava se encontrar e se fortalecer.

E quando em mais um ano, as coisas pareciam que desandariam e Dudu partiria, veio daqueles momentos de filme, em que um sábio ou guerreiro do passado retorna para ensinar os do presente. É como o Mestre Yoda aparecendo para Luke Skywalker em ‘’Os Ultimos Jedi”. Só que em carne, osso e bigode.

O herói de nosso texto, ele chora com outro herói que também nos ama. E ele não liga de ser chamado de ‘’chorão’’ pois o que ele carrega no peito, é paixão e não é em vão.

 

Com Felipão, ninguém no mundo jogou mais bola do que o Palmeiras. Assim dito, ninguém no mundo foi melhor do que Dudu. Mais uma vez, ele cresceu quando mais precisávamos. Ele foi o ‘’Another Brick in the Wall pt. II’’ de um The Wall que é maravilhoso em cada segundo tocado ou jogado, tanto faz, aqui se mistura tudo o que é bom.

Numa temporada em que as coisas pareciam perdidas, ele mais uma vez nos lembrou o por que de o olharmos e gritarmos ‘’DUDU, GUERREIRO!’’

Só mais uma coisa a dizer: Obrigado, Dudu.

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