O Palmeiras e a subversão ao futebol bonito

Me lembro muito bem daquela vez, uns 10 anos atrás, que eu passei um bom tempo jogando a master liga com o Palmeiras. Na época, compartilhava o mesmo memory card de play 2 do meu primo, também Palmeirense, e que era meu vizinho. Nossas disputas eram acirradíssimas, e além de querer ganhar mas títulos e ter um time melhor, tinha o objetivo de bater o recorde de invencibilidade dele.
E eu que, na maior parte desses meus 22 anos, só testemunhei equipes medianas, ruins e horríveis do palestra, sonhava que meus feitos no video game se transformassem em realidade. Pois bem, demorou mas chegou esse tempo.

 

2015 e 2016 foram anos maravilhosos. 2017 tinha tudo para ser mas não foi. 2018 parecia que iria fadar em repetir o ano anterior, mas veio a salvação: LUIZ FELIPE SCOLARI. Desde a quase terceira ida para a série B, os elencos são bons e se mantém em constante evolução. Mas sempre faltou algo, a última peça para garantir que toda a estrutura não ruísse. Vamos analisar.
2015 começou com Oswaldo de Oliveira e terminou com Marcelo Oliveira. Marcelo deu inicio em 2016 e terminamos com Cuca. 2017 tivemos Eduardo Baptista, Cuca novamente; desta vez sem ânimo algum; e Alberto Valentim. Já 2018 começou com um promissor Roger Machado, e este, o último teste por assim dizer. Um elenco recheado de grandes estrelas sempre precisou de alguém que soubesse lidar com as situações adversas, egos e etc, por isso sempre houve essa inconstância, tanto no comando técnico como no futebol apresentado.
Felipão era essa peça que faltava. Ele chegou a quase 1 ano atrás e está mostrando a todos que ele ainda da conta do recado.

Pra não dizerem que só sei falar do que não gosto no Palmeiras, como em meu texto anterior neste blog, hoje eu quero falar um pouco do quanto o futebol do verdão me impressiona e enche os olhos.

Vai ter alguém que vai dizer ”cê ta louco? esse time não joga bonito e muitas vezes até da sono”. Não deixa de ser verdade, mas ai eu questiono, adiantaria ter o futebol mais lindo do país, se acabasse não surtindo efeito e fosse objetivo? Com o elenco que tem, o Palmeiras tinha tudo para jogar um futebol vistoso, que fizesse a mídia nos comparar com clubes europeus e tudo mais. Outros treinadores quiseram fazer isso. Felipão não. O bigode sempre soube o que funcionaria de fato nesse time e o levaria a atingir a atual marca de invencibilidade no brasileirão. Por que ali na beira do gramado, não tem apenas um técnico, mas um torcedor. E torcedor sabe sempre o que é melhor para seu clube.

Abdicamos do jogo bonito, das muitas trocas de passes, da plasticidade e dos esquemas táticos mirabolantes que são apenas cópias e mais cópias de coisas já feitas no passado. E para que? Pra jogar o jogo de bola, o jogo objetivo, o jogo sem se preocupar em encantar a todos mas que é frio, calculista e que prende o adversário. Felipão e o Palmeiras mostram a todos, que o simples pode muito ser o ideal, o exemplo a ser seguido. Sempre admirei como o nosso rival Corinthians conseguiu chegar a um time com defesa sólida, que deixa de jogar pra ganhar. Sim, DEIXA DE JOGAR PARA ENTÃO GANHAR. Nos confrontos recente o Palestra sempre foi o favorito, mas em quase todos saiu com a derrota. O time esteve mais preocupado em parecer que estava jogando bem do que buscar vencer o jogo. Deixa eu tentar explicar isso.

Jogar bonito, bem ou qualquer outro adjetivo parecido aqui, são apenas o que a teoria prega. Entende-se por ter um jogo belo, aqueles times que trocam passes, driblam, fazem tabelas e marcam belos gols. Todo torcedor quer ver isso, óbvio. Tentou-se fazer isso no Palmeiras e não saiu lá muito como o esperado. O futebol brasileiro é muito diferente, estamos um pouco longe dos principais campeonatos do mundo nesse quesito do jogo bonito.

 

O que o Palmeiras fez então? Subverteu todo o padrão imposto pela mídia especializada como o estilo ideal. Eles fincaram a bandeira no centro do gramado e disseram ”agora é a gente que dita como se joga bola aqui, e é desse jeito que se faz!” Não é preciso ficar com a bola o tempo todo, trocar muitos passes e querer ser como o Barcelona. Bastou o time entender que, quando estiver com a bola, tem que saber o que fazer, e quando não estiver com ela, também tem de saber o que fazer.
Defesa sólida, meio campo funcional e ataque preciso. Ligações diretas, marcação em cima, paciência e foco no objetivo até o fim.

É jogando dessa maneira, teoricamente feia, que o Palmeiras mantém sua invencibilidade no brasileirão, o status de time a ser batido e pode dizer pra todo mundo: NÓS TEMOS O FUTEBOL MAIS BONITO E MAIS BEM JOGADO NO PAÍS.

Ah e sim, no fim das contas acabei batendo o recorde de invencibilidade do meu primo e ele teve de pagar uma coquinha.

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